sábado, 19 de março de 2011

Síndrome do médium de incorporação/psicofonia

No início, quando o médium psicofônico descobre a sua faculdade mediúnica, não a aceita totalmente, torna-se arredio por vezes, quer se rebelar e em alguns momentos questiona a Deus se aquilo não seria um castigo. Contudo, posteriormente, após algum tempo desenvolvendo o dom, e caso esteja trabalhando em alguma reunião mediúnica, o médium descobre que faz parte do elo entre o espírito comunicante e o doutrinador (responsável pelo esclarecimento do espírito desencarnado e seu devido encaminhamento ou simples conversação). Neste referido elo, como a própria definição já demonstra, o médium psicofônico é o centro do diálogo, é quem, de fato consegue transmitir aquilo que o espírito quer informar.

Nesse ponto é que as atenções devem se prestar, pois, quando o médium possui uma mediunidade atormentada ou mal direcionada, nasce para ele um sentimento de egocentrismo, que nada mais é do que um fruto do orgulho e da vaidade que todos nós possuímos, uns em maior outros em menor potencial. Desse sentimento, surge a necessidade constante de atenção, pois na sua psicosfera o fato de ser a ligação entre aqueles que se encontram no plano espiritual e no plano físico o torna especial, e, dessa forma, carecedor de atenções privilegiadas. Sob esse ponto, vale a pena refletirmos a seguinte informação trazida pelo espírito Odilon Fernandes, através do médium Carlos A. Baccelli na obra Mediunidade Consciente, a seguir: “Quando o médium quer mostrar a si mesmo, o brilho do trabalho dos espíritos se eclipsa.” (grifo nosso).

Ocorre que, embora a referida situação já levante grandes preocupações, o momento se torna crítico quando o médium, por qualquer circunstância, deixa de incorporar, e, conseqüentemente, sob a sua ótica, deixa de ser o centro das atenções. Alguns médiuns diante dessa situação sentem-se frustrados e por não compreenderem a dinâmica espiritual, começam a gerar transtornos de diferentes ordens: desenvolvem hábitos perniciosos de maneira a atrair qualquer tipo de entidade, seja mistificadores, zombeteiros, espíritos de ordem inferior, motivando, igualmente, comunicações fora de hora unicamente com o intuito de se manter dando “assistência” a esses indivíduos, e de estarem a frente dos trabalhos mediúnicos. Ou então, caso tal situação não se concretize da maneira como a idealizou, decide, consciente ou inconscientemente, utilizar-se de sentimentos próprios e desenvolve-los a fim de ocasionar comunicações anímicas. Ponto importante é trazido pelo “Livro dos Médiuns” na resposta de nº. 217:

217. Uma vez desenvolvida a faculdade, é essencial que o médium não abuse dela. O contentamento que daí advém a alguns principiantes lhes provoca um entusiasmo, que muito importa moderar. Devem lembrar-se de que ela lhes foi dada para o bem e não para satisfação de vã curiosidade. Convém, portanto, que só se utilizem dela nas ocasiões oportunas e não a todo momento. Não lhes estando os Espíritos ao dispor a toda hora, correm o risco de ser enganados por mistificadores. Bom é que, para evitarem esse mal, adotem o sistema de só trabalhar em dias e horas determinados, porque assim se entregarão ao trabalho em condições de maior recolhimento e os Espíritos que os queiram auxiliar, estando prevenidos, se disporão melhor a prestar esse auxílio.

Embora o referido tema necessite de mais estudo e embasamento, ao analisar alguns pontos, podemos tirar algumas conclusões. Dentre elas que, o médium precisa sempre se observar, conhecendo seus limites e sabendo o que inflama seu orgulho e sua vaidade, para que de forma equilibrada se mantenha distante do que possa lhe levar a perdição. Nesse ponto, o “orai e vigiai” é muito importante, porque através da prece o médium consegue receber as devidas inspirações dos espíritos superiores, e com essas orientações seguir em frente com o seu trabalho, e mediante o vigiai pode sempre estar atento as próprias atitudes.

Além disso, Allan Kardec, como também outros espíritos em suas obras, já chama a nossa atenção quanto a instrução, o estudo constante. O médium precisa possuir bases sólidas e seguras, e para isso, necessita se manter sempre realizando leituras edificantes e de teor educativo. Através do hábito da leitura, e do conhecimento da Doutrina Espírita, na forma como os espíritos nos traduzem, é possível compreender melhor a dinâmica espiritual, e a contribuir de forma mais participativa com a espiritualidade superior, tornando-se, por conseguinte, um canal ou ferramenta mais segura e de melhor acesso para a concretização das obras de Deus.

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